Parque da Luz

Histórico

O Parque da Luz teve origem em 19 de novembro de 1798, com a criação de um Horto Botânico,passando a Jardim Botânico, e em 1825, a Jardim Público, sendo aberto à população.

Do desenho inicial chegaram até hoje o lago, que foi alterado, e certos caminhos. Quanto à vegetação original, tem-se pouca informação. Há referencias importantes que permitem identificar “plantas corriqueiras de nossas matas” nas fotos de Militão Augusto de Azevedo e no Guia do dr. Usteri, de 1919.

A evolução do jardim foi lenta e acompanhou o crescimento da cidade e do seu entorno. Problemas de falta de verba e de infra-estrutura, sobretudo o abastecimento de água, foram determinantes na implantação da área.

O jardim era alimentado pelo ribeirão Saracura, que nascia nas baixadas da Avenida Paulista, cujas águas ficavam represadas no Tanque Reúno. Essas águas eram conduzidas por canalização rudimentar, feita em 1774, para abastecer o Recolhimento da Luz. Como o fundo dessa canaleta não era impermeável, havia grandes perdas no caminho. Em 1845 o presidente da Província solicitou à Assembléia Provincial a execução de encanamento de pedra, coberto até a bacia da Pyramide. Mas mesmo assim o problema não foi totalmente solucionado, o que só aconteceu em 1869 com a substituição da canaleta por encanamento fechado. Essa obra teve pouca duração, pois foram utilizados tubos de papelão asfaltado, que logo começaram a se decompor. A solução definitiva chegou em 1874, quando João Teodoro Xavier realizou a canalização do Tanque Reúno para os chafarizes do bairro de Santa Ifigênia e para o Jardim Público.

Com a autorização da construção de uma estrada de ferro ligando Santos a Jundiaí em 1856, a escolha do local decaiu sobre uma ala do Jardim Público. Assim, quatro anos mais tarde, o então inspetor do jardim “fez entrega à Companhia de Estrada de Ferro Inglesa de vinte braças de terreno em frente ao jardim, compreendendo até o fundo do mesmo, para nele ser feita a estação da mesma estrada de ferro, concessão esta que muito prejudicou grande quantidade de arvoredos e tirou simetria do jardim e a disposição das suas ruas”.

Em 1867, foi concedida uma área de 14 x 28 braças (30,80 x 61,60m) para a construção de uma casa, que seria a casa do administrador. Essa casa foi demolida e outra foi construída em 1901, existindo até hoje.

A primeira estação erguida era uma construção simples e despretensiosa e não alterou de imediato o traçado do jardim. Conforme planta de 1868, o jardim manteve-se sem que nenhuma via o separasse da estação.

As modificações ocorreram gradualmente, à medida que começaram a se fazer sentir os efeitos da presença da estrada de ferro em toda a estrutura urbana da capital e em particular no bairro da Luz.

O marco definitivo do jardim como área de recreação e ponto de encontro foi a intervenção feita em 1874 por João Teodoro Xavier, que resolveu definitivamente o problema da canalização de água, construiu a Torre do Observatório e colocou no lago quatro estátuas de mármore representando as estações do ano e outra de Vênus, todas encomendadas no Rio de Janeiro. Além disso, mandou vir de lá várias mudas de árvores e flores. Nesse mesmo ano foi inaugurado um pavilhão para abrigar um bar-café, que existiu até 1903 e contava com 135 combustores de gás para iluminação.

A Torre do Observatório foi erguida em frente à estação. Tinha 20m de altura e servia de belvedere, tendo acesso por uma escada interna. Nessa torre funcionou a central meteorológica que, em 1895, seria transferida para a nova Escola Normal da Praça da República. Cinco anos depois a torre estava abandonada e foi demolida.

Em 1881, na gestão de Florêncio de Abreu como presidente da província, foram executados novos e suntuosos gradis e portões para o jardim, retirados por ordem da prefeitura em 1908.

Entre 1901 e 1904 o jardim ganhou três novos elementos: a nova casa do administrador, o pavilhão (Ponto Chic) e o coreto, que existem até hoje.

Em sua primeira visita ao Jardim da Luz, o prefeito Antonio Prado ficou mal impressionado com seu aspecto, que lhe pareceu muito provinciano. Providenciou sua remodelação e introduziu gramados e canteiros à moda inglesa, além de uma seleção de plantas mais refinadas do que as existentes.

Com o crescimento da cidade e o movimento da estação de trem, o jardim passou a servir de passagem. Para facilitar esse trânsito, foi aberto o caminho que unia os portões da Rua Ribeiro de Lima e da Rua José Paulino.

Um cadastro realizado em 1986 mapeou 38 espécies arbóreas, das quais 25 já estavam no levantamento de 1919, do Doutor Usteri. Todos os animais, bem como as grades do jardim, foram retirados do parque por ordem do prefeito Pires do Rio, em 1930. Esses fatos podem ter contribuído para o declínio do Jardim da Luz. Em 1933 o jardim recebeu iluminação elétrica. Novas intervenções voltam a acontecer na década de 70, com a instalação de um parque infantil, a construção de novas grades (1972) e a concessão de parte de sua área para instalação do Parque de Diversões Shangri-la.

O Jardim da Luz atendeu plenamente à recreação pública da população paulistana até o início do séc. XX. A partir de 1914 as notícias sobre o local cessam. Provavelmente porque o parque passa a atender pontualmente à população do seu entorno e servir de ponto de encontro de grupos específicos, perdendo a primazia como área de recreação mais importante da cidade.

Os bairros da burguesia começam a se desenvolver e a cidade se prepara para atendê-los. Nascem o Parque Villon (atual Trianon)[1] a Praça Buenos Aires, além de praças e parques resultantes da renovação urbanística da capital, como a Praça da República, o Parque do Anhangabaú e o Parque D. Pedro II. Em 1939, Nuto Sant’Anna sinaliza a decadência do Jardim da Luz: “Nada lhe resta das antigas glórias, nem da freqüência encantadora dos tempos em que a cidade era mais espiritual e mais ingênua”.

No Parque da Luz, cuja área é de 113.400 m², a flora é composta por espécies exóticas e algumas nativas. Destacam-se principalmente o Chichá, a Nolina e o Pau-ferro, localizados próximo à administração e coreto; as figueiras, próximas à lateral da Pinacoteca, Parque infantil e Ponto Chic; as palmeiras reais espalhadas pelo Parque; o alecrim-de-campinas, na alameda principal da entrada; e a rara Brownea ou sol-da-Bolívia e o eucalipto vermelho, perto do playground.

Foram catalogados mais de 40 espécies de aves, entre elas sabiá-laranjeira, sanhaço, chupim, bem-te-vi, periquito verde e rolinha-caldo-de-feijão, além de algumas aves aquáticas, como socó-dorminhoco e biguá.

Foram detectados ainda alguns peixes (carpas e tilápias) nos espelhos d’água e dois exemplares de sagui-de-tufo-branco, que são originários do nordeste brasileiro.

O destaque, porém, é para os três bicho-preguiças que vivem na chamada Alameda de Figueiras, espécie que provavelmente habita o Parque desde a época em que era Jardim Botânico.

[1] SANT’ANNA, Nuto. Op. cit., p. 140, apud KLIASS, Rosa Grena. Op. cit., p. 87

O Parque da Luz hoje

Hoje o Parque da Luz é um quadrilátero cercado pela Avenida Tiradentes, Rua Prates, Rua Ribeiro de Lima e Estação da Luz. Na Avenida Tiradentes localizam-se edifícios históricos como o Museu de Arte Sacra, antigo Convento da Luz, o prédio que abriga a Rondas Ostensivas Tobias Aguiar – ROTA e a Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC-SP. As outras ruas são ocupadas por comércio e poucos edifícios residenciais.

Os principais acessos ao Parque se dão por um portão na esquina das Ruas Ribeiro de Lima e Prates e outro em frente à Estação da Luz. Existem outros portões, na Rua Ribeiro de Lima e na Avenida Tiradentes, ao lado da Pinacoteca, que permanecem fechados nos dias de menor movimento. Por situar-se ao lado da Estação da Luz, o acesso mais fácil ao Parque é pelo metrô. Existe também, ao lado da estação, na Rua Mauá, um terminal de ônibus. Durante a semana, a rua que separa o Parque e a estação serve como estacionamento de ônibus que levam um enorme número de compradores ao bairro do Bom Retiro. O acesso de carros não é muito facilitado por existirem poucas vagas disponíveis para estacionamento.

Entrando-se no Parque pelo portão em frente à Estação da Luz, podemos tomar três caminhos diversos. Se formos para lado direito, vê-se a Pinacoteca. Chega-se nela por uma pequena alameda de Palmeiras.

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Foto: Laís Abud Lopes

Existe também um portão em frente à Pinacoteca, que também dá acesso ao Parque. Seguindo a parede lateral da Pinacoteca chegamos à sua fachada posterior e encontramos também um espelho d’água.

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Foto: Laís Abud Lopes

De costas para a Pinacoteca ficamos de frente para a parede da Escola Prudente de Moraes. De volta à trilha do Parque, seguimos em frente e chegamos à Casa do Administrador, imóvel que sofreu inúmeras intervenções ao longo do tempo. Depois de reforma promovida pelo Projeto Monumenta, encontra-se aberta ao público para atividades culturais. Foram encontradas na casa, durante as reformas, pinturas diferentes de três épocas distintas. Parte da configuração original da casa foi recuperada, como portas, janelas e um teto treliçado localizado na cozinha.

Se seguirmos reto ao entrarmos no Parque pelo mesmo portão, andaremos pela Alameda Central, onde poderemos admirar o Chafariz dos Delfins, construído somente com intenção ornamental.

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

Do chafariz, seguindo para a esquerda chegamos ao Lago em Cruz de Malta, que abriga as esculturas que representam as quatro estações do ano e também as esculturas de Vênus e Adônis.

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Foto: Laís Abud Lopes

Próximo ao Lago em Cruz de Malta fica o Lago de Diana, numa pequena ilha, de onde se tem acesso a um túnel encontrado por volta de setembro de 2001. Nesse túnel existem janelas para que os peixes que vivem no lago possam ser admirados.

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Foto: Laís Abud Lopes

No canteiro em frente ao Lago em Cruz de Malta situam-se o Ponto Chic e os dois coretos; e no canteiro à direita deles está o Ponto de Bondes.

O Ponto Chic foi o ponto de encontro da elite social do final do século XIX, abrigando uma elegante casa de chá, sob controle da Companhia Bavária. Inicialmente, era constituído por um pavilhão de madeira e em 1903 foi reconstruído nos moldes atuais. A sua decadência teve início com a inauguração do restaurante do Teatro Municipal, em 1911 e há muito tempo encontra-se desativado.

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Foto: Laís Abud Lopes

O Coreto n° 2 localiza-se ao lado do Ponto Chic e em frente a um outro Coreto metálico (n° 1) com dimensões menores. Construído em 1901, foi projetado pelo arquiteto inglês Maximilian Hehl, professor da escola Politécnica e autor de projetos como a Catedral da Sé. A função principal deste Coreto seria receber eventos musicais, servindo também como ponto de encontro da sociedade da época. No coreto há ainda um sino que tinha a função de anunciar o fechamento do Jardim.

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

O Ponto de Bonde está localizado dentro do Jardim da Luz, em frente ao Coreto n° 2, sob a copa de uma grande Figueira de Bengala. Situa-se de frente para a uma das ruas internas, com intenso fluxo de pedestres. Foi construído no ano de 1872, quando foi inaugurada a primeira linha de bonde à tração animal, percorrendo o trajeto que ligava a Sé até a Estação da Luz. O bonde permeava o Jardim da Luz, onde encontrava o seu ponto de parada.

O bonde, que trafegava por dentro do Jardim da Luz, era tracionado por burros e popularmente chamado de “Bonde do Burro”. O veículo era aberto e coletivo, fazendo parte da memória integrante do Jardim.

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Foto: Laís Abud Lopes

Andamos mais um pouco e logo vemos à frente o Roseiral, uma área do Parque dedicada exclusivamente às rosas. Nas primeiras plantas do Parque observamos que ele ainda não existia. Sua presença é notada nas plantas somente a partir da década de 30.

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

Deixando para trás o Roseiral, entramos na Alameda de Figueiras, local bastante sombreado, com bancos, muito utilizado pelos usuários do Parque. É nos galhos destas enormes figueiras que podem ser vistos os Bichos-Preguiça que habitam o Parque.

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Foto: Laís Abud Lopes

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Foto: Laís Abud Lopes

No final da Alameda de Figueiras há uma gruta, artificial, que foi trazida de fora do país especialmente para ornamentar o Parque, seguindo os conceitos do paisagismo inglês, onde a paisagem natural deve ser reproduzida. Apesar das boas condições de limpeza encontradas no local, a Gruta foge um pouco desta regra. Ela é um pouco mais suja que o resto do Parque. Sobre a Gruta existe um pequeno belvedere de onde podem ser admiradas algumas partes do Parque.

O terceiro caminho que pode ser feito entrando-se no Parque pelo portão em frente à Estação seria virando-se à esquerda. Caminhando um pouco se chega a uma ruína, protegida por um guarda-corpo. É a ruína da Torre do Observatório, que foi construída por João Teodoro. O “Canudo do Dr. Teodoro”, como foi apelidada a torre, foi construída nos moldes de um farol marítimo. Tinha cinco andares e vinte metros de altura. Foi fechada em 1890 e demolida cinco anos depois. Suas ruínas foram encontradas durante a escavação de uma palmeira, segundo um funcionário que trabalhou na reforma do Parque entre 2000 e 2001.

Seguindo por este caminho chega-se também à Gruta Artificial.

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Foto: Laís Abud Lopes

O Parque da Luz abriga desde 2000 50 esculturas; uma parte do acervo da Pinacoteca, ao ar livre. Eis algumas:

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“Colar” – Lygia Reinach
Foto: Laís Abud Lopes

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“Luiza” – Sônia Ebling
Foto: Laís Abud Lopes

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“Fita” – Franz Weissmann
Foto: Laís Abud Lopes

 

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